sexta-feira, 24 de abril de 2009

Explosões estelares registradas em testemunhos de gelo


Amostras de gelo têm sido utilizadas como registros históricos do clima porque a composição do gelo e das bolhas de ar nele aprisionadas fornecem um testemunho praticamente intocado de condições climáticas passadas.

Recentemente um grupo de cientistas japoneses mostrou que a mesma técnica pode ser utilizada para registrar eventos astronômicos importantes.

Em artigo publicado recentemente no arXiv.org da Biblioteca da Cornell University, Yuko Motizuki e colaboradores, do Instituto Riken, em Wako, Japão, apresentam evidências de um registro de explosões de supernovas que ocorreram há mais de mil anos, em testemunhos de gelo antártico. Em uma amostra tubular de gelo de 122 metros de comprimento obtido, em 2001, na estação Dome Fuji, na Antártida Oriental foram encontrados picos na concentração de íons de nitrato (NO3–) que coincidem com duas supernovas conhecidas do século 11: a supernova 1006, assim denominada por ter sido descoberta nesse ano e a supernova da nebulosa do Caranguejo de 1054. Supernovas próximas provocaram grande precipitação de raios gama sobre a Terra, o que pode ter elevado rapidamente os níveis de nitratos na atmosfera, o que explicaria os picos registrados nas amostras de gelo.

Um terceiro pico de nitrato revelado pela equipe japonesa, datado entre 1060 e 1080, pode ser a indicação de um evento celeste não registrado, especulam os autores. Um fragmento estelar exótico, chamado de repetidor gama, pode ter sido responsável pelo aumento misterioso do nitrato, ou uma supernova oculta por densas nuvens de poeira, ou simplesmente não ter sido visível no hemisfério norte.

A idéia de descobrir registros astronômicos, baseado em núcleos de gelo perfurados em grandes profundidades, lembram os autores, foi proposto pelo astrônomo Robert Rood, da University of Virginia, e seus colegas em um artigo da Nature, em 1979, mas a relação entre supernovas e picos de nitrato havia permanecido como mera especulação. Mesmo essa nova pesquisa teria que ser reforçada por outras correlações. – Com essa finalidade, os autores estão realizando uma revisão abrangente dos níveis de íons e das supernovas conhecidas dos últimos 2 mil anos.

fonte: Scientific American

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