domingo, 23 de agosto de 2009

Planeta estranho orbita estrela ao contrário


Somente um evento cósmico muito violento poderia fazer um planeta de um sistema estelar girar no sentido inverso

Na procura por planetas extrassolares, a Busca de Planetas em Grandes Áreas (WASP, na sigla em inglês), do Reino Unido, encontrou um mundo extremamente bizarro, que orbita uma estrela no sentido oposto.

“Esse é um dos planetas mais estranhos que já encontramos”, observa Sara Seager, astrofísica do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Quando estrelas começam a girar, geralmente atraem resíduos de matéria das proximidades, que adquirem a mesma direção orbital. “Com todo o sistema estelar rodopiando no mesmo sentido, incluindo a estrela, é necessária alguma coisa muito forte para fazer um planeta seguir na direção oposta”, avalia Coel Hellier, astrofísico da Keele University, no Reino Unido.

De fato, o exoplaneta recém-descoberto ─ batizado de WASP-17b ─ provavelmente sofreu um grande impacto gravitacional de outro objeto bem maior para adquirir uma órbita retrógrada. “Se houver um evento de ‘quase colisão’, então a interação poderá produzir um violento empurrão gravitacional”, comenta Hellier.

Esse é o primeiro planeta conhecido a apresentar uma órbita tão inesperada, embora algumas luas de outros planetas do Sistema Solar percorram órbitas no sentido inverso, em torno dos planetas.

Os astrônomos descobriram a órbita retrograda de WASP-17b ao observar a estrela que ele orbita. “Se observarmos as alterações do espectro da estrela quando o planeta passa na sua frente (trânsito), podemos descobrir em que sentido o planeta está se deslocando”, explica Hellier.

O astrofísico e seu grupo também calcularam o tamanho do planeta gasoso (analisando a amplitude do movimento da estrela durante o trânsito). A baixa densidade encontrada pode ser explicada ou por uma quase colisão, devido à aproximação de um outro objeto grande, ou pela longa órbita elíptica do planeta, que permite que se aproxime muito de sua estrela massiva.

“Para mim, esse fato extremamente interessante”, avalia Seagerm, que não estava envolvido na descoberta. “É fascinante poder estudar órbitas de planetas tão distantes.” Esse gigante gasoso está a cera de mil anos luz de distância. Seager ficou radiante por ter uma prova do fenômeno. Segundo ele, “a teoria sempre vai existir, mas não há nada como uma boa observação para confirmá-la”.

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