sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Telescópio espacial Kepler detecta atmosfera em planeta extrasolar


Lançado no dia 6 de março de 2009, o telescópio espacial Kepler tem como objetivo descobrir e estudar novos planetas extrasolares, especialmente aqueles que se encontram dentro da zona habitável de uma estrela. Agora, cientistas americanos puderam confirmar a real capacidade do telescópio e anunciaram a detecção de uma tênue atmosfera em um planeta a 1 mil anos-luz de distância.

A detecção da atmosfera no exoplaneta foi feita com apenas 10 dias de coleta de dados e animou bastante o diretor da Divisão de Astrofísica e Missões Espaciais, da Nasa, Jon Morse. "Kepler entrou com o pé direito na caçada aos exoplanetas e demonstrou a extraordinária capacidade científica do instrumento", disse Morse. A descoberta foi publicada nesta sexta-feira no periódico Science.

As observações foram feitas ao examinar um planeta chamado HAT-P-7, conhecido por orbitar a estrela-mãe na constelação do Cisne a cada 2.2 dias e se localizar 26 vezes mais próxima dela do que a Terra do Sol. Sua distância, combinada com a massa ligeiramente maior que a de Júpiter classifica o objeto como um "Júpiter Quente". Sua temperatura é tão alta quanto uma grelha elétrica.


HAT-P-7

HAT-P-7 já era conhecido antes de Kepler fazer as medições, mas as recentes observações do telescópio trouxeram novas informações que revelaram até mesmo as variações de brilho causadas pelas mudanças de fases do planeta, similares às fases da nossa Lua e observadas sempre que o objeto transitava à frente da estrela.

Os dados do telescópio permitiram conhecer a profundidade da ocultação e o padrão e amplitude da curva luminosa e revelaram que o planeta tem uma atmosfera que atinge 2371 graus Celsius durante o dia, mas que muito pouco desse calor é transportado para o lado frio durante a noite. Além disso, o tempo de ocultação comparado ao tempo de trânsito à frente da estrela mostrou que o planeta tem um padrão de órbita circular.


Alta precisão

Segundo Morse, a detecção da atmosfera confirma as previsões dos astrofísicos e dos modelos matemáticos, que indicavam que as emissões poderiam ser detectadas pelos instrumentos a bordo do telescópio. De acordo com o cientista, a variação de brilho é apenas 1 vez e meia àquela esperada pelo trânsito de um planeta do tamanho da Terra, mas ja é a maior precisão obtida para observações dessa estrela e será ainda maior quando os softwares de análise estiverem finalizados.

"Estes resultados mostram que a estréia de Kepler na detecção dos planetas extrasolares não podia ser melhor", disse David Kock, principal representante do Centro de Pesquisas Ames, da Nasa, junto à missão Kepler. "Esse é um bom sinal e nos dá ótimas perspectivas para que possamos descobrir planetas do tamanho da Terra dentro da zona habitável", declarou o pesquisador.

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