segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Formação de cometas pode não estar associada a rochas (ou gelo)


Novo modelo de formação de cometas revisa a teoria de sua origem

São raras as visitas que recebemos todos os anos, de viajantes procedentes das profundezas do espaço. Geralmente em missão de paz, esses intrusos passam suficientemente perto para serem vistos e depois seguem seu caminho.
Esses visitantes esporádicos são cometas, um aglomerado globular de gelo e poeira que se desgarrou de sua morada habitual ─ de alguns milhares a dezenas de milhares de vezes a distância da Terra ao Sol: a nuvem de Oort, assim chamada em homenagem ao astrônomo holandês Jan Oort, que previu sua existência em 1950.
Acredita-se que essa nuvem abrigue bilhões ou mesmo trilhões de cometas que ocasionalmente são lançados em trajetórias que os conduzem para dentro do Sistema Solar, por causa da passagem de estrelas próximas ou outras interações com outros objetos da Via Láctea.

Durante raros e extremos encontros estelares, muitos cometas da nuvem de Oort são arremessados para longe e alguns deles acabam executando órbitas que se aproximam da Terra, eventualmente podendo colidir com ela. Algumas teorias sustentam que essa precipitação de cometas poderia explicar alguns eventos de extinção na Terra, como por exemplo, o impacto de um asteróide ou cometa há 65 milhões de anos, provável causa da extinção dos dinossauros.

O senso comum sobre a dinâmica dos cometas há muito tempo sustenta que os cometas que conseguiram escapar de Júpiter ou Saturno, sem serem atraídos pelo efeito gravitacional desses dois planetas massivos, procedem da parte externa da nuvem de Oort, onde perturbações externas ao Sistema Solar podem ser sentidas com mais intensidade. Isso pode explicar a enorme extensão das órbitas cometárias, que levam centenas de anos para serem percorridas. A teoria é válida somente durante precipitação de cometas provocada pela passagem próxima de estrelas, e as violentas perturbações gravitacionais atraem os cometas da nuvem de Oort para dentro do Sistema Solar.

Estudo recente, publicado na Science online, sustenta que a maioria dos cometas que penetram no Sistema Solar ─ ou seja, que conseguem vencer a barreira formada por Júpiter-Saturno ─ de fato tem origem, em grande número, na ausência de uma perturbação gravitacional violenta, o que provocaria uma chuva de cometas. O mecanismo revelado pelos autores descarta a hipótese de precipitação de cometas teriam sido responsáveis pelas extinções em massa no passado.

Os objetos mais próximos do centro da nuvem Oort podem ser temporariamente lançados para as bordas por meio de interações com planetas massivos, de acordo com uma simulação feita pelo doutorando Nathan Kaib e seu orientador, Thomas Quinn, ambos da University of Washington, em Seattle. Segundo Kaib, esses cometas muito afastados podem, repentinamente, adquirir uma órbita mais longa e serem mais perturbados gravitacionalmente pelo meio interestelar, e ter suas órbitas tão alteradas, que não sentem o efeito da barreira formada por esses planetas massivos, ao retornar à região planetária: “Eles simplesmente saltam sobre a barreira Júpiter-Saturno.”
Kaib e Quinn estimam que mais da metade dos cometas provenientes da nuvem de Oort alcança nossas vizinhanças dessa forma, e pelo menos dois pesquisadores da área concordam que a simulação parece correta. "Esse mecanismo, essa trajetória dinâmica, como chamamos, poderia funcionar e contribuir significativamente", avalia Paul Weissman, pesquisador do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês), da Nasa, em Pasadena, Califórnia, não envolvido no estudo de Kaib e Quinn.

A pesquisa apresenta uma nova opção para a formação de cometas, pois "isso não tinha sido pensado antes e provavelmente ajudará a resolver problemas ─ onde existem discrepâncias entre o modelo convencional e as observações”, observa Scott Tremaine, astrofísico do Instituto de Estudos Avançados em Princeton, Nova Jersey, que também não participou desse estudo sobre a nuvem de Oort.

"Uma das questões é, que do ponto de vista convencional, o processo de formação cometária é bastante ineficiente. Para produzir o número de cometas que chegam até nós, seria necessário um disco protoplanetário realmente massivo, o que parece ser incompatível com as melhores estimativas feitas a partir de outras fontes", comenta Tremaine. "Isso poderia ajudar a resolver o problema".

Kaib e Quinn usaram o novo mecanismo, e o número observado de cometas, para fixar um limite superior para a quantidade de material contido no interior da nuvem de Oort. Considerando a eficiência do processo que permite aos cometas do interior da nuvem chegar até nós, “seria difícil incluir mais corpos, sem produzir um fluxo de cometas maior que o que observamos hoje”, analisa Kaib.

Usando esse limite superior, os pesquisadores criaram um modelo estatístico para estimar quantos cometas poderiam ter impactado na Terra em precipitações cometárias nas últimas centenas de milhões de anos. Kaib e Quinn encontraram um bombardeio de cometas no fim do Eoceno ─ cerca de 35 milhões de anos ─ que, segundo alguns pesquisadores, teriam provocado uma extinção parcial. Este provavelmente foi o maior evento observado nos últimos 500 milhões de anos.

Segundo Kaib, em termos estatísticos, aproximações de estrelas deveriam ocorrer a cada 50 ou 100 milhões de anos, por isso, o processo foi proposto como um possível mecanismo capaz de produzir esses eventos de extinção. No entanto, nós mostramos que é possível produzir um evento menor, e que não é necessário um mecanismo robusto para produzir múltiplos eventos de extinção.

O alcance dessas descobertas para desvendar a história de extinções na Terra, provavelmente, receberá mais críticas que o novo mecanismo proposto para a produção de cometas. “Claro, qualquer extrapolação é perigosa”, adverte Tremaine. “Esse que é um resultado interessante, mas não o mais importante do artigo, porque esse tipo de cálculo sempre envolve alguma extrapolação”.

Weissman avalia que os eventos de extinção estão associados a precipitação de cometas, e não a cometas em geral, e que mesmo uma quantidade reduzida de precipitação de cometas pode ter exercido papel relevante nas extinções. “Se a maior precipitação cometária observada não provocou uma grande extinção, isso não significa que outras precipitações não teriam provocado ou que provocarão grandes extinções”, e acrescenta que, provavelmente, a responsável por extinguir espécies não é a multiplicidade de eventos, mas sua intensidade.

Segundo Weissman, impactos no passado ─ provocados por precipitações ou objetos isolados associados à distribuição esperada de tamanho dos cometas ─ permitiram prever a ocorrência de vários grandes impactos, e cada um deles, poderia sim, ter provocado uma extinção.

www.sciam.com.br

sábado, 26 de setembro de 2009

Venha Conferir a Semana de astronomia da UFMS.


Muitos eventos estão sendo realizados entre os dias 23 à 26 de setembro.
Lembrando que no dia 26 de setembro o clube comemora o seu segundo aniversário!!!
Clique em Leia Mais e confira a programação.

Segue abaixo agenda da semana e anexo o cartaz. Todos estão convidados, compareçam!!

de 23 a 25 de setembro
Exposição de astrofotografias "Uma viagem pelo espaço", ocorrerá na Unidade VII (em frente as quadras), entre as 8 e 20 h, são cinquenta imagens de 90X90 cm, incluindo fotos da lua, planetas, galáxias, aglomerados, etc.

23 de setembro
Minicurso de Stellarium "Operando um planetário virtual", ocorrerá no Telecentro da Casa da Ciência, na Unidade XI, Departamento de Química, entre as 14 e 16:30 h. Além de familiarizar o participante com o software Stellarium o curso também oferecerá noções de astronomia.

Teleciência " Colonizando o espaço, filme sobre a Estação Espacial Internacional". ocorrerá na sala de mestrado da Física, Unidade V (em frente as quadras), a partir das 17:15 h. Documentário sobre Estação Espacial Internacional, com entrevistas de astronautas e cosmonautas falando um pouco de como é a vida no espaço, além da apresentação de projetos futuros de exploração espacial e dos problemas enfrentados atualmente.

24 de setembro
Palestra: "Astronomia X Astrologia", ocorrerá na sala de mestrado da Física, Unidade V (em frente as quadras), a partir das 17:15 h. será ministrada pelo acadêmico de Física Johnathan Cabrera, trará uma interresante explanação das principais diferenças, não deixando de citar a origem comum, entre estas duas areas muitas vezes confundidas.

25 de setembro
Palestra: "Galileu e a ciência moderna". será ministrada pelo prof Dr. Alfredo Roque Salvetti - DFI/UFMS e ocorrerá no Anfiteatro 1, na Unidade VII, a partir das 15 h. Tratará das revoluções causadas por Galileu na Ciência, a partir dos seus métodos puramente científicos, não deixando de falar em astronomia.

Observação Astronômica, a partir das 18 h em frente ao "sucão", no fim do corredor central.

26 de setembro
Grande Observação Astronômica, a partir das 18 h em frente ao teatro Glaucy Rocha, veremos o gigante Júpiter, a Lua, além de outros astros.

sábado, 19 de setembro de 2009

Nasa divulga a mais detalhada imagem da galáxia de Andrômeda



Situada a 2.5 milhões de anos-luz da Terra, a Galáxia de Andrômeda é um dos mais belos objetos do céu noturno. Conhecida como M31, é a maior e mais próxima galáxia em espiral nas proximidades da Via Láctea, contra a qual deverá se chocar nos próximos bilhões de anos.

Através de uma série de imagens captadas pelo telescópio espacial Swift, cientistas da agência espacial americana registraram nos mínimos detalhes esse gigantesco objeto e produziram a mais completa imagem jamais vista da galáxia de Andrômeda. A imagem de alta resolução resultante revelou com clareza mais de 20 mil fontes de emissão ultravioleta, geradas essencialmente por estrelas quentes e jovens e também por densos aglomerados estelares.

Segundo o cientista Stefan Immler, que estuda as imagens do telescópio Swift junto ao Centro Espacial Goddard, da Nasa, além da riqueza de detalhes o que mais impressionou os pesquisadores foi a capacidade do Swift em mapear a galáxia em três comprimentos de onda diferentes dentro espectro ultravioleta, o que permitirá aos astrofísicos estudarem o processo de formação das estrelas de M31 de modo muito mais aprofundado do que o realizado até agora.

Andrômeda tem 220 mil anos-luz de diâmetro e para conseguir a imagem foram necessárias 330 observações, que resultaram em 24 horas de aquisição de dados. O resultado gerou uma gigantesca imagem de 85 gigabytes que precisou de dez semanas para ser processada. "Estou muito orgulhosa por essa nova visão da M31", disse a estudante Erin Grand, da Universidade de Maryland, que auxiliou Immler no trabalho.


Detalhes
Diversos detalhes são imediatamente visíveis na nova imagem. Chama a atenção a nítida diferença entre bojo central da galáxia e seus braços em espirais. "O bojo é mais suave e mais avermelhado porque está repleto de estrelas mais velhas e mais frias", disse Immler. "Poucas estrelas se formam nesta região porque a maior parte dos materiais necessários já se esgotaram".

Além do bojo central brilham as estrelas azuis, quentes e jovens, pois da mesma forma que na Via Láctea o disco e os braços em espiral de Andrômeda também contêm a maior parte do gás e partículas necessárias para formar as novas estrelas. São abundantes os aglomerados de novas estrelas que se formam nessa região com mais de 150 mil anos-luz de diâmetro.

Não existe um consenso entre os pesquisadores sobre o que provoca a excepcional formação de estrelas dentro desse verdadeiro "anel de fogo", mas estudos anteriores mostram que as forças de maré geradas por pequenas galáxias-satélites ao redor de M31 ajudam a impulsionar as interações no interior das nuvens de gás e que resultam em novas estrelas.


Supernova

Em 1885, Andrômeda foi palco da primeira supernova já registrada em qualquer galáxia além da Via Lactea. Na ocasião uma estrela explodiu no bojo central de M31 e seu brilho foi tão intenso que pode ser visto à vista desarmada até mesmo durante o dia. "Os cálculos mostram que ocorre uma supernova por século na galáxia de Andrômeda. Dessa forma não deveremos esperar muito tempo para que aconteça novamente", disse Immler.

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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Flagrante cósmico mostra galáxia roubando estrelas de sua vizinha


Um flagrante de proporções cósmicas acaba de ser capturado por um grupo internacional de astrônomos. As imagens mostram a ligação entre as galáxias de Andrômeda e do Triângulo.


Como acontece também entre as estrelas do cinema, havia suspeitas da relação, mas nenhuma prova até o momento. Em artigo publicado na edição desta quinta-feira (3/9) da revista Nature, os cientistas apresentam as provas da ligação e descrevem como galáxias maiores crescem ainda mais ao incorporar estrelas de galáxias vizinhas e menores.

Evolução das galáxias

Esse modelo de evolução galáctica, conhecido como hierárquico, estima que galáxias de grandes dimensões, como Andrômeda - que está no Livro dos Recordes e pode ser vista a olho nu do hemisfério Norte -, estariam envoltas por "sobras" de galáxias menores.

Pela primeira vez, astrônomos têm imagens que confirmam o modelo hierárquico. A descoberta, que incluiu pesquisadores da Austrália, França, Alemanha e do Reino Unido, foi coordenada por Alan McConnachie, do Instituto de Astrofísica Herzberg, do Canadá, e do Conselho Nacional de Pesquisa do país.

Galáxia vizinha

"A galáxia de Andrômeda é nossa vizinha gigante, localizada a mais de 2,5 milhões de anos-luz da Via Láctea. Nosso estudo incluiu uma área com diâmetro de quase 1 milhão de anos-luz, centrada em torno de Andrômeda. Trata-se da mais extensa e mais profunda imagem já feita de uma galáxia", disse Geraint Lewis, da Universidade de Sydney, na Austrália, outro autor do estudo.

Descobertas anteriores também apontam para a possibilidade futura de uma colisão entre Andrômeda e a nossa Via Láctea.

"Nós mapeamos os extremos inexplorados de Andrômeda pela primeira vez e encontramos estrelas e estruturas de grande porte que são remanescentes de galáxias menores e que foram incorporadas por Andrômeda como parte de seu contínuo crescimento", explicou.

Triângulo promissor

A maior surpresa, para o grupo, foi descobrir que Andrômeda estava interagindo com sua vizinha, a galáxia do Triângulo, que é visível do hemisfério Norte com o uso de um pequeno telescópio. "Milhões de estrelas da galáxia do Triângulo já foram 'puxadas' por Andrômeda como resultado dessa relação", disse Lewis.

Como paparazzi que estão sempre de plantão na casa de estrelas do cinema e da televisão, o grupo pretende continuar a observar o resultado da interação entre as galáxias, estimando que possa resultar em uma união muito mais sólida. "As duas poderão se unir inteiramente", disse Lewis.

Influência gravitacional

O estudo também indica que as galáxias são muito maiores do que se estimava, com sua influência gravitacional se estendendo muito além das estrelas mais próximas ao seu centro.

"Como Andrômeda é considerada uma galáxia típica, foi surpreendente ver como ela é vasta. Encontramos estrelas a distâncias de até 100 vezes o raio do disco central da galáxia", contou Lewis. Os astrônomos usaram para o estudo o telescópio Canadense-Francês-Havaiano, localizado no monte Mauna Kea, no Havaí.
Agência Fapesp

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Novos dados sugerem mudanças no modelo da Via-Láctea


Como todos sabemos, a Terra e nosso Sistema Solar se encontram no interior da Via-Láctea, uma galáxia em espiral que abriga mais de 200 bilhões de estrelas. Até recentemente os cientistas acreditavam que a Via-Láctea era composta de quatro braços principais, mas novas observações do telescópio Spitzer podem mudar esse conceito.

Da mesma maneira que os exploradores antigos mapearam os continentes, os astrofísicos modernos também mapeiam a estrutura espiral da Via-Láctea em busca de detalhes que possam ajudar a compreender um pouco mais sobre o local onde habitamos. E foi através desse mapeamento que descobriram que a elegante estrutura da Galáxia é dominada por apenas dois grandes braços, ao invés dos quatro até agora supostos.

Utilizando dados do telescópio espacial Spitzer, o astrofísico Robert Benjamin, da Universidade de Wisconsin junto a cientistas da Nasa criaram uma nova representação da Via-Láctea, que foi apresentada recentemente durante o 212º encontro da Sociedade Astronômica Americana.

De acordo com o modelo apresentado e visto na imagem acima, os dois maiores braços (Perseus e Scutum-Centaurus) partem das extremidades do eixo central da Galáxia, enquanto os dois braços menores e agora rebaixados (Norma e Sagitário) são menos imponentes e localizados entre os dos braços maiores.

Enquanto Perseus e Scutum-Centaurus são altamente densos, formados por um grande número de estrelas de todas as idades, Norma e Sagitário são primariamente preenchidos de gás e bolsões de atividade criados por estrelas em formação.


O Sol e a Via-Láctea
Assim como a Terra gira ao redor do Sol, toda a Via-Láctea descreve um movimento de rotação ao redor de um ponto central, mas seus componentes não se deslocam à mesma velocidade. As estrelas que estão mais distantes do centro movem-se a velocidades mais baixas do que aquelas que estão mais próximas.

Nosso Sol descreve uma órbita praticamente circular em torno da Via-Láctea e sua velocidade de translação é de 225 km por segundo. Para dar uma volta completa ao redor do centro da Galáxia o Sol leva aproximadamente duzentos milhões de anos. Como a idade da nossa estrela é de 5 bilhões de anos, podemos afirmar que desde que existe, o Sol já deu aproximadamente 25 voltas ao redor da Galáxia.

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