quinta-feira, 11 de junho de 2009

Observatórios Astronômicos Municipais


Centros podem ter atuação ampla e diversificada na sensibilização para a ciência


por Paulo Sergio Bretones

Neste Ano Internacional da Astronomia, mais de 130 países estão promovendo programações com ênfase em divulgação e atividades educacionais visando aumentar o interesse dos jovens pela ciência. Em agosto será realizada, no Rio de Janeiro, a 27a. Assembléia Geral da União Astronômica Internacional (IAU), evento que reunirá astrônomos profissionais do mundo todo.

Mas, além de movimentos e reuniões internacionais, o que pode ser feito no âmbito local para despertar o interesse das pessoas
e particularmente dos jovens?

A observação do céu, a olho nu, ou com instrumentos desperta o fascínio de qualquer um.

É impossível ser indiferente à visão de um eclipse, de uma estrela cadente ou de um cometa. E o que dizer de observações com telescópios envolvendo planetas, aglomerados de estrelas, nebulosas e galáxias?

A astronomia tem origem em muitas culturas como a mais antiga das ciências, determinante no domínio da agricultura pelo conhecimento dos calendários. Mesmo sem percebermos, está presente na vida cotidiana, na determinação dos calendários e na contagem do tempo, na das estações, no clima, na orientação à navegação e na evolução da vida.

Sempre tão presente que, quase sempre, carece de maiores informações para sistematizar esse conhecimento e dar conta das perguntas dos seus alunos, no caso de professores. Como área do conhecimento – daí a sua importância na educação – está ligada a todas as disciplinas, como física, geografia, química, matemática e história, entre outras. Assim, os conteúdos astronômicos fazem parte, de várias formas, do programa escolar e dos livros didáticos.

Como hobby, e com a ajuda da internet, a astronomia é praticada por muitos amadores em todo o mundo e pode atrair estudantes para várias áreas e carreiras. Em 1996, participei de um colóquio da IAU em Londres, quando apresentei um trabalho que tratava de como convencer prefeituras municipais a construir centros de astronomia. Na época, fiz entrevistas com colegas que me contaram a história e os passos que seguiram para implementar alguns dos primeiros observatórios municipais no Brasil, como os de Campinas, Americana e Piracicaba.
Cada um contou sua história de contatos com prefeitos, secretários municipais, vereadores e imprensa da cidade. Mesmo não tendo uma receita pronta para isto, é fácil notar que um observatório pode estar ligado a secretarias municipais de educação, cultura, turismo e meio ambiente, dadas as suas aplicações e ligações com todos esses setores.

A instalação inicial de pequenos telescópios pode ser incrementada progressivamente com lunetas, binóculo, e até instrumentos maiores. Nem sempre há necessidade de locais muito escuros já que, para a Lua, planetas brilhantes, estrelas duplas, aglomerados estelares e mesmo o Sol (por projeção ou filtros espaciais) bastam locais urbanos.

No que se refere à educação, esses observatórios podem ser usados para a formação de professores e para trabalhos com estudantes que teriam oportunidade de tomar contato com assuntos pouco abordados no programa escolar.

Também como opção de cultura e de lazer, um observatório passa a ser uma forma de atração turística na cidade. Afinal, as pessoas, de modo geral, apreciam passeios ao ar livre onde é possível contemplar o céu e indagar sobre outros mundos, fazer perguntas e discutir temas que tocam a humanidade há milênios.

Professores aposentados, e astrônomos amadores, poderiam gerir esses centros e fazer do astrônomo amador alguém tão importante quanto um piloto amador durante a Segunda Guerra Mundial. Nesse sentido, podem ser criados postos de trabalho para estudantes de graduação ou professores de ciências, por exemplo, que poderiam se profissionalizar na área da educação em astronomia. Esses observatórios podem ser construídos por meio de projetos anuais renováveis, ou até pela implantação de leis que garantam seu funcionamento contínuo, com a criação de cargos mais estáveis, cujos profissionais poderiam ser selecionados por concurso público.

Mais que isto, essas instituições poderiam associar-se a universidades e levar adiante projetos educacionais e até de pesquisas, desde que inseridas em projetos maiores de relevância para a pesquisa astronômica atual. Rastreamento de cometas e asteróides ou observações de estrelas variáveis podem integrar esses programas.

Despertar a curiosidade dos jovens e dar opções à população de modo geral por meio de discussões envolvendo a beleza do céu talvez possa ajudar até mesmo a amenizar a situação de violência e o uso de drogas, ao contribuir para um novo sentido à vida de muita gente.

www.sciam.com.br

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