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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Rosetta revela ciclo de água e gelo no cometa

em terça-feira, 6 de outubro de 2015

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Com informações da ESA -  06/10/2015

Ainda não deu para ver o gelo de água diretamente, mas sua assinatura molecular foi detectada por meio de um espectrômetro.[Imagem: ESA/Rosetta]

Gelo espacial


A sonda espacial Rosetta encontrou indícios da ocorrência de um ciclo diário de água e gelo na superfície do cometa 67P, em torno do qual a sonda orbita há mais de um ano.

Antes da chegada da Rosetta ao 67P, acreditava-se que cometas eram "bolas de gelo sujo", mas o que se viu foi um pedregulho duro e aparentemente seco, uma espécie de "sujeira gelada", já que tudo no rigor do espaço é gelado, e os sinais de gelo de água ou outras substâncias tenham sido escassos até o momento.

À medida que a luz do Sol aquece o núcleo frio do cometa, ele expele substâncias voláteis, incluindo as tão procuradas moléculas de água, mas também monóxido e dióxido de carbono, tudo transformado diretamente em gás, que sai devidamente acompanhado de poeira. Juntos, o pó e o gás constituem a coma e a cauda características do cometa.

Esse processo pode ser bem estudado conforme o cometa atingiu o ponto mais próximo do Sol em sua órbita de 6,5 anos - o periélio foi alcançado em 13 de agosto de 2015.

Antes disso, o instrumento VIRTIS (Espectrômetro Térmico e de Infravermelhos) identificou uma região na superfície do cometa em que gelo de água aparece e desaparece em sincronismo com o período de rotação do cometa.

"Descobrimos um mecanismo que preenche a superfície do cometa com gelo fresco a cada rotação: isto mantém o cometa 'vivo'," disse Maria Cristina de Sanctis do INAF-IAPS na Itália, principal autora do estudo.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Rosetta redefine o que é um cometa

em terça-feira, 27 de janeiro de 2015

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Montagem fora de escala para mostrar o quanto o cometa 67P é escuro, em comparação com a Terra e a Lua. [Imagem: ESA/Rosetta]

 Pedregulhos porosos


Uma série de sete artigos publicados na última edição da revista Science trouxe os primeiros resultados obtidos pelas diversas equipes e seus instrumentos que compõem a missão da sonda Rosetta, que vem comboiando o cometa 67P desde Agosto do ano passado.

A grande surpresa é a baixíssima densidade do cometa, com apenas 470 quilogramas por metro cúbico (kg/m3). Para se ter uma ideia do que isso significa, a água tem uma densidade ao redor de 1.000 kg/m3 (variando ligeiramente conforme a temperatura), enquanto o gelo tem uma densidade de 920 kg/m3. Ou seja, o cometa 67P é altamente poroso, com uma consistência próxima à da pedra-pomes.

Isto descarta a teoria mais aceita atualmente de que "cometas são bolas de gelo sujo". Devido à sua inesperada secura, os cientistas estão preferindo fazer um jogo de palavras e mudar a definição para "bolas de poeira congelada", o que também não parece ser totalmente adequado, uma vez que os gases congelados no interior do cometa são uma parte importante de sua constituição - na distância que atualmente se encontra do Sol, o cometa 67P inteiro é tecnicamente "congelado", com temperaturas ao redor dos -70º C.

De quebra, os dados agora publicados virtualmente descartam as teorias de que os cometas teriam trazido a água para a Terra, algo que já havia sido indicado anteriormente pela diferença entre a água do cometa e a água da Terra.

Em um dos artigos, Nicolas Thomas e seus colegas afirmam ainda que esses dados iniciais são suficientes para descartar os "modelos mais populares" de formação dos cometas.

Todas essas alterações apenas aumentam o impacto dos resultados da missão Rosetta e ampliam a expectativa com a análise de novos dados - os sete artigos foram baseados apenas nas primeiras medições feitas quando a sonda começou a orbitar o cometa, e uma montanha de dados já coletados estão agora sendo analisados.
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