terça-feira, 2 de junho de 2009

Brasil volta a lançar foguete de Alcântara

Veículo de sondagem VSB-30 é o primeiro lançamento desde o acidente com o VLS-1, que matou 21 pessoas em 2003

O Brasil lançou anteontem seu primeiro foguete ao espaço desde o acidente que matou 21 técnicos na base de Alcântara, no Maranhão, há 14 meses.


O veículo, denominado VSB-30, decolou da base por volta das 13h30 para um vôo suborbital de sete minutos, a 100 km de altitude, e marcou a retomada do programa brasileiro de lançamentos.

O CTA (Centro Técnico Aeroespacial), instituição ligada à Força Aérea que controla a base de Alcântara e foi responsável pelo projeto, considerou o lançamento ‘um sucesso’.

A missão Cujuana, como foi batizada, alcançou seu apogeu (altura máxima) em 10,5 minutos e permaneceu em microgravidade durante quatro minutos, informou o CTA.

A preparação para o lançamento do VSB-30, um veículo de 13 metros de altura e dois estágios (andares), no entanto, foi criticada por ter envolvido o mesmo clima de sigilo que precedeu o acidente com o VLS-1 (Veículo Lançador de Satélites), que pegou fogo na plataforma de lançamento em 22 de agosto de 2003.

Segundo a Aeronáutica, o acesso limitado a informações se deve a razões de segurança.

A Folha revelou em agosto deste ano que o VSB-30 nunca havia sido testado, e que o foguete fora montado sem uma revisão preliminar de projeto, procedimento de rotina em casos semelhantes.

Para exportação

O novo foguete foi desenvolvido em parceria com a Alemanha. Ele é capaz de fazer vôos de até 250 quilômetros de altitude com uma carga útil de até 400 quilos.

Seu objetivo é ser usado em missões científicas no Brasil e na Europa, principalmente para experimentos que envolvam microgravidade (sensação de ausência de peso, que facilita algumas reações químicas e biológicas que não podem ser reproduzidas de maneira viável no ambiente terrestre).

O lançamento de anteontem não só ajuda a restaurar a imagem externa do programa espacial brasileiro, o primeiro da América Latina, mas também permite que a Aeronáutica siga em frente com seus planos de exportar os foguetes para a ESA (Agência Espacial Européia), onde ele substituiria os foguetes Skylark, fabricados pelo Reino Unido.

O protótipo do VSB-30 foi fabricado quase inteiramente por empresas brasileiras. O CTA apenas realizou a integração dos sistemas de combustível sólido. Tanto a AEB (Agência Espacial Brasileira) quanto o Centro Espacial Alemão supervisionaram o lançamento.

Três fracassos

O acidente do ano passado com o VLS-1, causado pelo acionamento involuntário de um dos sete motores do veículo, foi o terceiro da história do projeto, iniciado em 1980. As duas falhas anteriores, ocorridas em 1997 e 1999, não deixaram vítimas.

Um relatório da Câmara dos Deputados concluído há dois meses sobre o VLS-1 aponta três fatores como causas do acidente: baixos investimentos na área, falta de pessoal capacitado e uma falha institucional do programa espacial brasileiro, ‘já que a AEB [órgão civil, ligado ao MCT], teoricamente responsável pelo programa, não tem comando efetivo sobre as atividades’.

A Câmara sugeriu mudanças na organização do programa espacial, propondo que ele passe a ser diretamente subordinado à Presidência da República.


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