sexta-feira, 27 de março de 2009

[NOTÍCIAS] Astrônomos capturam "estrela cadente"


Se um asteroide do tamanho de uma cidade estiver em rota de colisão com a Terra, cientistas ainda não sabem o que fazer para evitar uma catástrofe. A tecnologia para deixar o mundo em pânico na véspera, porém, já existe.

Cientistas relataram ontem (25) ter recuperado destroços de um asteroide que teve sua trombada com o planeta prevista e confirmada com 20 horas de antecedência.

Na prática, foi a primeira vez que astrônomos conseguiram capturar uma estrela cadente --expressão da qual astrônomos não gostam porque, claro, um meteoro não é uma estrela. Neste caso, os destroços do asteroide 2008 TC3 é que foram achados no Sudão, após o bólido explodir na atmosfera da Terra a 37 km de altitude.

Poucos astrônomos apostavam que tivesse sobrado algo do asteroide para contar história, mas Peter Jenniskens, do Instituto Seti, da Califórnia, organizou uma expedição ao local e recuperou 47 fragmentos. O feito sem precedentes é descrito em estudo na edição de hoje da revista 'Nature'.

A sorte com o impacto do TC3 --com 80 toneladas e o tamanho de um carro- é que ele não era nem de longe algo como o asteroide que possivelmente extinguiu os dinossauros há 65 milhões de anos. Como quase todo o asteroide foi pulverizado desta vez, os fragmentos de Jenniskens somam apenas cerca de quatro quilos.

Antes da colisão, o TC3 foi classificado como um asteroide tipo F, categoria atribuída de acordo com seu brilho. Analisando a luz de asteroides, cientistas tentam determinar quais substâncias os compõem, mas o trabalho é difícil porque esses rochedos voadores em geral estão cobertos de poeira que encobre sua superfície.

No estudo da "Nature", Jenniskens e seus colegas mostram que o TC3 não tinha esse tipo de problema, e que sua composição estimada apenas pelo espectro de sua luz era bastante similar àquela vista nos meteoritos em laboratório.

A maior parte do asteroide é composta do mineral ureilita, já catalogado, mas estruturado de uma maneira jamais vista. "É um material tão frágil que nunca havia sido representado em coleções de meteoritos", escrevem os cientistas. Isso significa que mesmo o impacto de um asteroide tipo F um pouco maior não traria risco à vida na Terra, pois se fragmentaria com facilidade na atmosfera.

Chamem o Bruce Willis

O risco e a rota de colisão de outros tipos de asteroides, porém, depende agora mais de programas de monitoramento como o Catalina Sky Survey, do Arizona, que descobriu o TC3. Entre os autores do estudo na "Nature" está Simon Warden, que há muito tempo defende que os objetos ameaçadores que rondam a Terra merecem mais atenção --e dinheiro.

O Catalina é um projeto barato para seu porte, custando US$ 700 mil anuais, mas um monitoramento robusto sai bem mais caro. O Programa NEO, da Nasa, bem mais completo, faz isso hoje ao custo de US$ 4 milhões anuais, e ainda assim deixou o TC3 passar batido. Por sorte, não havia risco.

"Se uma pedrona das grandes estiver vindo, o que nós vamos fazer? Chamar o Bruce Willis?", diz o astrônomo John Tonry, aludindo ao filme "Armageddon", em que o ator usa uma bomba nuclear para destruir um asteroide em rota de colisão. Para o cientista, porém, de nada adianta saber como destruir um asteroide se a ciência não conseguir detectá-lo com boa antecedência.

Tonry está agora tentando levantar fundos para ajudar o projeto Pan-Starrs que, ao custo estimado de US$ 100 milhões, deve fazer uma cobertura bem mais completa do céu, usando quatro supertelescópios. O primeiro, no monte Haleakala, no Havaí, entrou em operação em dezembro.

Para quem considera o monitoramento de asteroides algo caro demais, Tonry lembra que a filmagem de "Armageddon" custou a bagatela de US$ 140 milhões, e garantiu o faturamento de US$ 554 milhões.

Caso Hollywood queira ajudar os cientistas, a oferta será bem-vinda, diz o astrônomo.

Folha Online

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