
Pois foi exatamente isso que pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá, descobriram. Utilizando telescópios instalados nos EUA, Holanda e Austrália, cientistas detectaram o mais rápido pulsar até hoje descoberto, girando à incrível velocidade de 592 revoluções por segundo.
A descoberta do objeto foi feita pelas cientistas Anne Archibald e Victoria Kaspi e anunciado esta semana na publicação Science Express. Segundo o paper (trabalho científico), o pulsar se chama PSR J1023+0038 e tem o tamanho aproximado de uma cidade de grande porte.
"O objeto está localizado há 4 mil anos luz de distância na constelação do Sextante e de acordo com as medições seu período de rotação é de 592 revoluções por segundo. Esse é um dos mais rápidos pulsares que já vimos", disse David Champion, diretor do observatório Parkes, na Austrália.
Pulsar é uma estrela de nêutrons de altíssima densidade, cujo núcleo foi esmagado pela força gravitacional após a explosão da estrela principal. "Nós detectamos a estrela pelos poderosos feixes de ondas eletromagnéticas que esses objetos emitem, que chegam à Terra como uma espécie de farol pulsante", disse Champion.
Disco de Acreção
Normalmente, o período de rotação de um pulsar é de cerca de 10 revoluções por segundo, ao contrário do pulsar "milissegundo" descoberto recentemente. No entender dos astrônomos, a elevada rotação desse tipo de estrela pode ocorrer devido à interação gravitacional de uma estrela companheira nas proximidades.
A companheira descarregaria parte de sua matéria em direção à estrela de nêutrons, aumentando sua velocidade. Atraído, o material formaria um plano e rotativo disco de acreção ao redor da estrela de nêutrons, bloqueando a propagação das ondas eletromagnéticas. À medida que o fluxo de material decresce e cessa, as ondas eletromagnéticas reaparecem e a estrela de nêutrons passa a ser reconhecida como um pulsar. A densidade de uma estrela desse tipo é tão alta que uma simples colher do material estelar pesaria bilhões de toneladas.
PSR J1023+0038 foi descoberto em 2007 através de observações feitas pelo radiotelescópio GBT (Green Bank Telescope), pertencente ao Radio-Observatório Nacional dos EUA, auxiliado pelo telescópio Parkes, que foi usado para adquirir as observações orbitais que ajudaram a caracterizar as propriedades do pulsar.
Evidências
Quando os astrônomos estudaram os dados, descobriram que uma estrela similar ao Sol - a estrela companheira - já havia sido detectada em 1998 e 1999 por outros radiotelescópios. Em observações óticas feitas em 2000, o sistema apresentava claros sinais de um disco de acreção ao redor da estrela de nêutrons, mas em maio de 2002 as evidências do disco haviam desaparecido, o que gerou diversas teorias sobre o comportamento do objeto.
Agora, após as observações atuais feitas com diversos radiotelescópios, as peças do quebra-cabeças se encaixaram. "Até agora nenhum outro pulsar havia apresentado evidências de um disco de acreção e uma rotação tão alta", disse Archibald. "Essa descoberta nos presenteia com um verdadeiro "laboratório cósmico" sem precedentes, que vai permitir estudos muito mais profundos sobre a dinâmica dos pulsares", disse a cientista.
Estrelas de Nêutrons
Estrelas de nêutrons são um dos vários estágios finais da vida de uma estrela. Elas são criadas quando estrelas com massa superior a oito vezes a do Sol esgotam sua energia nuclear e passam por uma violenta explosão, chamada supernova.
Feixe de Energia
O feixe de energia emitido por um pulsar é conseqüência direta do intenso campo magnético e do movimento rápido da estrela. O feixe de partículas altamente carregadas é expulso do pólo magnético da estrela próximo à velocidade da Luz e à medida que a estrela gira pode ser detectado na Terra ou pelos telescópios espaciais.
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